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Por Talita Rocha Santos - Mestre em psicologia pela UFMG, Professora Universitária, atendimento clínico e orientação profissional e de carreira.

De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde o suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, perdendo apenas para acidentes de trânsito. Dessa forma, passar informações corretas, desmistificar, acolher e orientar, têm sido as principais ferramentas para a sua prevenção.  

Para a população geral, depressão é o transtorno mental que mais está associado ao suicídio, no entanto outros transtornos como bipolaridade, estresse, ansiedade, esquizofrenia e abuso de substâncias são considerados fatores de risco. Adolescentes e adultos emergentes a impulsividade, dificuldades para resoluções de problemas, bullying e transtornos alimentares são acrescentados como fatores de risco, o que muitas vezes aumenta a vulnerabilidade dessa população.

Apesar de mais vulneráveis, os jovens muitas vezes não encontram validação do seu sofrimento. Existe uma crença social, fruto da pós modernidade, que os jovens não possuem responsabilidades financeiras e por isso os seus problemas são menores. No entanto, a adolescência e início da vida adulta são períodos marcados por incertezas em relação ao futuro. Dúvidas como: “o que quero fazer?”, “vou conseguir?”, “serei bem sucedido profissionalmente?”, fazem parte do cotidiano dos jovens, que somadas ao medo de fracassar, altas demandas de trabalho/estudo e pressão para um bom rendimento, constituem as principais fontes de adoecimento em estudantes.

Além de conhecer os principais fatores de risco para o adoecimento mental, pais, professores e gestores educacionais precisam estar atentos aos principais sintomas, que indicam um provável quadro de transtornos de humor, são eles:

Perda de interesse em atividades consideradas prazerosas anteriormente pelo estudante

Ao observar os sintomas acima é necessário compreender o contexto do jovem, buscar entender as fases pelas quais está passando e suas características pessoais. É importante verificar, ainda, se houve diferença no comportamento em relação aos outros períodos de sua vida, principalmente quando se avalia a interação com os seus pares e o desempenho acadêmico.

Quando identificamos no outro os sintomas que podem indicar um quadro de adoecimento mental, é importante darmos espaço e incentivarmos que essa pessoa fale sobre o que sente. Há um mito social que demonstrar emoções é sinal de fraqueza, contudo, é justamente evitar entrar em contato com emoções que nos torna mais suscetíveis a desenvolver alguns transtornos emocionais. Ao ouvir alguém, busque validar o que a pessoa sente, evitando julgamentos. Vale ressaltar que não existe dor menor ou menos importante do que outra.

Algumas ações no que se referem aos cuidados com a saúde física podem ajudar a prevenir um quadro de adoecimento mental, como exercícios físicos e uma boa nutrição. Além disso, ações do ponto de vista social, como o aumento da rede de apoio e controle do tempo de tela são fundamentais na prevenção e tratamento desses quadros em jovens. O uso em excesso de redes sociais tende a aumentar as insatisfações com a vida, principalmente por promover comparações em um ambiente em que parece que todos são mais felizes, amados, produtivos e bonitos do que você. Essa comparação da vida construída na rede social versus a vida real tende a gerar dificuldades para lidar com as frustrações das expectativas e dores. Ademais, o excesso de tela no que concerne aos jogos, muitas vezes competem com as possibilidades de interação social, muito importante para o desenvolvimento dos jovens.

Somos seres sociais, isso implica que a interação social é importante para o desenvolvimento da nossa espécie. Essa importância vai desde receber apoio para momentos difíceis, como o nosso desejo de sermos reconhecidos e aceitos socialmente. A adolescência e início de vida adulta são justamente as fases em que a aprovação social determina algumas experiências essenciais para vida adulta, como: amizades, relacionamentos amorosos, empregos e carreira. Este desafio que estamos enfrentando em 2020 gerou muitas frustrações e quebras de expectativas, comumente acarretando inseguranças em relação ao futuro.

Dessa forma, quanto mais apoio, encorajamento e orientação esse jovem tiver, mais seguro sentirá para experimentar esses desafios. Cabe ressaltar que apesar da prevenção ser um importante caminho, a busca por profissionais da saúde são fundamentais em caso de agravamento dos sintomas. Em casos de crises, ideação suicida ou qualquer outra orientação emergencial sobre o assunto, ligue para 188 — Centro de Valorização da Vida, funciona 24 horas em todos os dias da semana. 

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